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Velho Regimento
Inserido por: ACMA
Em: 10-01-2008 @ 04:16 pm
 

 

VELHO REGIMENTO

 

Major Art. QEMA Alexandre Maximo Chaves Amendola

(5 Fev 62)

 

 

P’rá vacês, amigos que me escuitam

Confesso a verdade: estou “morrendo”

De saudades da Unidade onde labuitam,

E a qual não me sai do pensamento ...

 

         Prestem atenção no que eu vou dizendo

         Porque também servi no ... VELHO REGIMENTO!

 

Meu VELHO REGIMENTO LEGENDÁRIO!

O que pode dizer p’rá tua glória

(Se tu já é mais que centenário)

Uma velha praça, tão modesta,

Que sabe, somente, um pouco da tua história

E dês que te deixou ... p’rá nada mais presta?

 

Piásito ainda, eu já bombeava

Meio arisco ... meio curioso ... com’é que vou dizê?

Quando ele – o VELHO REGIMENTO – desfilava

E garganteava p’ros outro – (sabe como é ...) –

“Quando eu for grande, vacês hão de vê

vou sentá praça no “REGIMENTO MALLET” –.

 

Os ano foi passando ... chegou o dia ...

Me fui á “Junta”, o coração batendo.

“- O que qué?” Disse um cara de cutia,

Que tava lá sentado, bem na frente.

E eu, meio atrapaiado, meio tremendo:

“Eu quero serví volontário, seu Tenente”.

 

“- Sabe lê?”

“Não”.

“- Sabe escrevê?”

“Também não dá...”

“- Não faz mal. Bota ele no 23o de Infantaria”.

“- Pé de poeira? Nessa é que não vão me pegá!

Eu quero mesmo sê, é de Artilharia!

Risque o meu nome! Não tá mais aqui o Zé!

Assim eu inté prefiro desertá!

Ou morro ou vou serví no REGIMENTO MALLET!!!

O home ficou até meio abobaiado

C’um aqueles grito, e disse p’ro Sargento:

“- Pois bota no VELHO REGIMENTO esse tarado,

 

Mas é uma pena: isso é mau elemento,

Que vai contaminá todos os sordado

Que é tudo gente buena e de talento! ...

Então me subiu um arrepio...

Os meus óio logo se enchero d’água,

E larguei pra ele o desafio:

 

“- P’ru minha curpa nem uma só mágua

O VELHO REGIMENTO há de passá!

Eu hei de sê o seu melhor soldado,

Aqui e em quarqué ôtro lugá!

Na guerra, na paz, na diciprina,

Não tem ôtro cumo o VELHO REGIMENTO

Me ajude DEUS (que tudo detremina)

Eu inda hei de chegá inté a Sargento!

Vacê guarde bem o que lê digo:

Eu vou sê o inzempro do VELHO REGIMENTO!

E vô passá pur aqui, não tem pirigo,

Amuntado num zaino cosquilhento

Daquêles que só tem Chefe de Peça!

Eu vô sê o taura do  VELHO REGIMENTO!

Escuite bem, e não s’esqueça dessa!

 

Sordado, Cabo e despois Sargento!...

Bem cumo eu tinha dito p’ro Tenente!

E desde que pisei no  VELHO REGIMENTO

(Diciprinado, enquadrado, arfabetizado)

Nunca vi taura nehuma na minha frente

Nem nunca vi o sol nacê quadrado.

 

Meu VELHO REGIMENTO, que saudade!...

Da tua história assistí a um bom pedaço...

Eu só  queria que arguém, só por mardade,

Falasse contra ti na minha frente,

P’rá eu lê cortá a cara c’um reiaço!

Falar de ti? ... Só argum descrente!...

 

Qual é o REGIMENTO que possúi

A glória que tiveste no passado?

O tempo passa e tudo derrúi,

Mas cumo apagá teu heroísmo

Que constitúi, p’rá nós, santo legado?

Numa lição de bravura e de civismo...

 

         1835: Guerra dos Farrapos!

         E lá estava, firme o Regimento

         Ao lado dos heróis ... que se vestiam de trapos!

         Dos bravos ... dos idealistas ... dos valentes!

         Era, p’ros imperiais, um escarmento

         Quando trovejava nas canhadas, em repentes!

 

1851: Guerra contra Rosas!

E o VELHO REGIMENTO, em Caseros,

Frenteando tropas inimigas, numerosas,

Destruir tudo, por completo, ameaçava,

Destroçando pelotões, esquadrões inteiros,

Apoiando a Infantaria que avançava!

“Bois de Botas”, nos chamavam os companheiros

Em apelido carinhoso, reparando

Que os bois das peças e os artilheiros

Ao avançar, forcejando, nas estradas,

Cada bôca de fôgo, pesada, arrastando,

Erguia as pernas ...

                   ... tôdas em barro carçadas!

 

         1865: Guerra do Paraguay!

         Lá está êle: O VELHO REGIMENTO!...

         Quéda de bravos, que morrem sem um aí!

         Os cavalos a relinchar e a nitrir!

         Gritos daquêles que perdêro o entendimento!

         Toques de clarim, chamando a “Reunir”!

         Estrupido de cascos: Cavalaria inimiga que “carrega”!

         Urros de ameaça e de vitória!

         Fumo e fôgo, que a todos céga!

         Retinido de lanças e de espadas!

         Desafios de homens que procuram à glória!

         Promessas de morte, com armas apontadas!

 

E tudo encobrindo, a tudo apequenando, ...

A VOZ DE TROVÃO DO VELHO REGIMENTO!!!

 

 

Rugindo a sua fúria, o aço vomitando,

Ribombam suas peças, em saltos e clarões!

“Artilharia-Revólver”: sem perda de um momento,

Detona e carrega, de nôvo, seus canhões!

 

 

         “- Eles que venham! ... – Por aqui não entram!”

         E mais de vinte cargas de Cavalaria,

         Que pelo dispositivo brasileiro se adentram

         Vão despedaçar-se, gritando em guarani,

         EM FACE DA LINHA DAQUELA ARTILHARIA!

 

Venceu-se a batalha de TUIUTI!!!

 

1930: perseguindo de novo um ideal

O VELHO REGIMENTO desloca-se ao combate

E chega a desfilar até na Capital!

1944: luta o Brasil na Europa

E o VELHO REGIMENTO atende ao rebate,

Por seus representantes, retirados da tropa.

 

         E agora? ... lá está êle, vigilante...

         Cuidem-se bem os inimigos do Brasil:

         O VELHO REGIMENTO, altivo e confiante,

         Está pronto á desforra da honra maculada

         É velho mas possui uma alma juvenil!

         Cuidado! Ou vão ter que “pagar a mula roubada”!

         E eu, velho sordado, aqui, pronto a servir,

         P’rá êle na hora do fêrvo hei de correr,

         De nôvo voluntário atendo ao “Reunir”

         Prá mostrar aos moços da nova geração,

         Que um velho sordado ainda sabe morrer,

         Se preciso, ABRAÇADO AO SEU CANHÃO!

 

Meu VELHO REGIMENTO: um último pedido:

O Patrono do Exército pediu isso ao expirar,

E eu quero imitá-lo! Tomem bem sentido:

 

         No dia em que a morte me apague o pensamento

         Quem até o cemitério me há de carregar,

         Serão seis sordados velhos, do VELHO REGIMENTO!...

 


Última alteração em 10-01-2008 @ 04:16 pm

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