Rio -  O reajuste dos soldos dos militares das Forças Armadas, esperado para ser concedido em julho, vai ficar para o ano que vem. A informação é do chefe de gabinete do Ministério da Defesa, Ari Machado. Ele confirmou, em agenda interna da pasta, a existência de estudos no Ministério do Planejamento sobre o reajuste, mas disse que a comissão da Defesa que os acompanha já descarta a possibilidade de eles serem concluídos de modo a garantir o aumento este ano.

Machado deu as informações em audiência com dirigentes das associações dos Militares da Reserva Remunerada, Reformados e Pensionistas das Forças Armadas (Amarp-DF) e de Praças das Forças Armadas (Aprafa). Procurado pelo DIA, o Ministério da Defesa confirma a existência de estudos, mas diz não ter previsão de data para entrada em vigor do aumento e nem o índice.

Foto: Divulgação
Reservistas cobraram também o pagamento da dívida dos 28,86%, mas Defesa informou que Ministério do Planejamento não liberou a verba | Foto: Divulgação

Com isso, não descarta nem confirma que o aumento será concedido em 2013. “Falamos com o chefe de gabinete durante 25 minutos sobre a situação dos nossos soldos, muito aquém dos demais servidores federais e até mesmo dos policiais militares do Distrito Federal”, contou o presidente da Amarp-DF, sargento Genivaldo da Silva.

No encontro, os dirigentes cobraram também o pagamento da dívida dos 28,86% A Defesa informou que o pagamento depende da liberação de verba pelo Ministério do Planejamento. Segundo o chefe de gabinete, foi pedida a planilha de cálculo atualizada para o ajuste no orçamento e a dívida “provavelmente também não sairá neste ano”.

Para oficiais superiores ouvidos pelo DIA, a sinalização de aumentos só para 2013 seria cortina de fumaça. “Reduz a pressão e a expectativa por aumento já e, de quebra, faz qualquer índice anunciado soar como satisfatório, uma vez que seria encarado como antecipação”, avalia um oficial superior.

Oficiais ainda veem chance de aumento este ano

Apesar de, oficialmente, a Defesa estar falando em reajuste em 2013, nos bastidores, oficiais superiores ainda esperam que o reajuste parcelado tenha a primeira parte creditada em julho, com efeito financeiro em agosto. Apoiam essa expectativa na concessão imediata do reajuste da gratificação de cargo dos comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica.

Previsto no projeto de lei que concedia reajuste também para servidores federais civis, o aumento veio por medida provisória. Conforme a coluna ‘Informe do Dia’ antecipou ontem, esse aumento é pequeno (6,99%), mas deixa os comandantes sem ter o que falar para a tropa que pede reajuste.
 
A mesma MP elevou o piso do auxílio-invalidez pago aos militares das Forças Armadas. Irá em julho de R$ 1.089 para R$ 1.520 (aumento de 39%), beneficiando quem não recebe valor acima em função do soldo maior. Também a etapa de alimentação sofrerá reajuste, ficando acima dos R$ 3,50 que são pagos atualmente.

“Os três aumentos são prova de que a equipe econômica está debruçada sobre o orçamento da Defesa. O governo está com dinheiro em caixa, uma vez que reduziu os juros básicos e vai reduzi-los ainda mais, não gastando tanto com custo da dívida pública. Por isso, ainda é possível esperar a concessão de parte do reajuste para este ano”, disse um oficial superior.